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Milhares de poços artesianos em São Paulo operam sob risco de contaminação tóxica, alerta estudo
Há 14 mil poços artesianos, de propriedade privada, na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). Os cerca de 22 milhões de habitantes da RMSP consomem em média 61,6 mil litros de água por segundo, segundo a Agência FAPESP. Embora quase todo o abastecimento público provenha de mananciais superficiais, estima-se que aproximadamente 18% do consumo total dependa desses 14 mil poços privados.
A notícia da Agência FAPESP informa que dois terços desses poços não estão formalmente cadastrados. E muitos deles foram perfurados em antigas zonas industriais, hoje desindustrializadas e em processo de reconversão imobiliária. A contaminação dessas áreas por resíduos industriais, principalmente solventes clorados utilizados na limpeza de máquinas, constitui um risco para o consumo de águas subterrâneas, considerando-se a dificuldade de gerir esse passivo ambiental em escala compatível com a da demanda de recursos hídricos.
Esse é o principal alerta de um artigo publicado na revista científica 'Environmental Earth Sciences' (https://doi.org/10.1007/s12665-025-12727-x), assinado pelos pesquisadores Daphne Silva Pino (http://lattes.cnpq.br/7501514408963902), pós-doutoranda no Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IGC/USP) e seu supervisor, Reginaldo Antonio Bertolo (http://lattes.cnpq.br/5875316548046037) e mais dois colaboradores.
De acordo com o professor Bertolo, "Para cada três poços que são construídos, dois são irregulares, no sentido de que o poder público não tem ciência da existência deles nem consegue avaliar se a água utilizada oferece risco ao usuário". Segundo o pesquisador, clubes, condomínios, indústrias e hospitais figuram entre os principais consumidores do recurso subterrâneo.
Mais detalhes sobre a pesquisa estão na matéria da Agência FAPESP, publicada em 30 de abril de 2026, que pode ser acessada aqui.

